Controle de Roedores

Estábulos:

limpeza geral, cimentar piso, retirar sobra de alimentos do local; inspecionar regularmente os possíveis esconderijos de roedores.

 

Pocilgas:

Limpar e lavar as instalações diariamente, remover resíduos alimentares e fezes do chão, cimentar piso.

 

Aviários e Galinheiros:

Limpar as instalações diariamente, remover restos deração e esterco, proteger contra entrada de roedores: rateiras e telas 6 mm, o piso da construção deve ficar afastado do solo.

 

Lavouras e hortaliças:

inspecionar a área para detectar sinais de roedores, preservar os animais predadores, remover resíduos e capinar, retirar mato alto e alimentos disponíveise resíduos alimentares.

 

Lixo e esterco (aves, suínos, bovinos, equinos e outros):

construir e utilizar esterqueiras apropriadas; queimar ou enterrar o lixo.

 

Fontes de água:

proteger com telas ou tampas apropriadas, reservatórios, cisternas e outras fontes de água. Destino final dos dejetos humanos: tampar as aberturas de acesso das fossas e rede de esgoto.

EFEITO BUMERANGUE

Um fenômeno aparentemente desconcertante é o aumento do número de roedores infestantes de uma determinada área, onde alguns meses antes foi praticada uma operação de desratização. Esse fenômeno tem base biológica e é sempre resultante de uma intervenção errada feita pelo homem. Uma dada colônia de roedores, uma vez completamente estabelecida numa certa área, alcança uma situação de equilíbrio após algum espaço de tempo, em função de seu tripé biológico: disponibilidade de água, disponibilidade de alimento e existência de abrigo.O número de exemplares de uma colônia parece ser determinado principalmente pelo fator alimento, mais que os outros fatores, quanto mais alimento disponível, maior será o número de roedores nessa colônia. O inverso também é verdadeiro: se a oferta de alimentos diminui, o número de roedores tende também a diminuir.

 

Para um melhor entendimento do efeito bumerangue, tomemos um exemplo virtual onde numa certa área existiria uma colônia estabilizada de 10 ratos, número esse fixado em função de fatores intrínsecos (da própria colônia) e extrínsecos (ambientais) dentre os quais ressalta a disponibilidade de alimento. Atingido o limite numérico dessa colônia (10 adultos no nosso exemplo) a simples existência de um outro membro será excessiva, colocando em risco a sobrevivência coletiva da colônia, uma vez que, em nosso exemplo, só há alimento suficiente para sustentar 10 adultos nesse território. Uma série de mecanismos biológicos garante a manutenção dessa colônia sempre com os mesmos 10 exemplares. Entre eles: baixa fecundidade e baixa fertilidade das fêmeas, diminuição da frequência e até supressão dos cios e, principalmente canibalismo dos recém-nascidos. Somente quando ocorre a morte de algum membro da colônia é que sua vaga será preenchida por algum filhote mais vigoroso, mais aparelhado para atingir a idade adulta. Claro que esse mecanismo não é estático, trata-se de um processo dinâmico e contínuo, mas capaz de exercer uma auto-regulação da colônia a níveis populacionais compatíveis com a própria sobrevivência da espécie naquele local.

 

Suponha agora que o homem decida intervir nesse ecossistema equilibrado partindo para a eliminação dessa colônia(desratização). Mas, também digamos que essa intervenção tenha sido mal planejada e/ou mal executada, de forma errada ou incompleta, de tal sorte que o objetivo de controle pela eliminação da maioria dos ratos ali existentes não seja atingido. Digamos então que apenas quatro dos 10 ratos existentes tenham sido eliminados, restando seis adultos sobreviventes. A partir desse instante, começará a haver uma “sobra” de alimento, representada pelas porções dos quatro ratos eliminados.

Esse será o sinal de partida que desencadeará uma série de mecanismos biológicos inversos aos que vinham limitando o crescimento excessivo da colônia, com o objetivo de preservar a espécie. As fêmeas entrarão em cio que será fértil e prolífero, os recém-nascidos não serão canibalizados, desenvolvendo-se normalmente.

 

Voltando ao nosso exemplo, suponha então que 20 filhotes tenham nascido em função desse novo fenômeno. Após o desmame, e durante curto prazo de tempo, esses filhotes vão desenvolver-se às custas daquelas quatro porções de alimento que estavam sobrando. Todavia, essa situação não pode perdurar por muito tempo, pois as necessidades alimentares de cada um desses 20 filhotes crescem à medida que eles tornam-se maiores.

 

Chega um determinado momento onde, para garantir sua sobrevivência, esses filhotes entram em disputa física pela posse definitiva de uma das quatro vagas disponíveis com direito a alimento. Apenas os quatro filhotes melhores dotados fisicamente vencerão essa competição. A colônia então estará refeita com 10 membros: os seis adultos originais mais os quatro filhotes vencedores. A partir desse instante, os 16 filhotes de nosso exemplo que não conseguiram as vagas disponíveis, passarão a representar uma séria ameaça à colônia, pois disputarão o restrito alimento disponível no território. Como instinto de autodefesa, a colônia, unida, parte para tentar eliminar esse novo risco atacando aqueles filhotes. Estes, menores em tamanho e força, não poderão sustentar luta pela posse do território e, sob risco de serem mortos, fogem do território onde nasceram e vão localizar-se em áreas vizinhas e contíguas, onde formarão novas colônias. Se algum tempo depois voltarmos a essa área, encontrar-se-ão, para surpresa, não mais os 10 ratos que nos preocupavam tanto, mas 26 deles (10 da colônia original e mais os novos 16 distribuídos em colônias vizinhas, igualmente reguladas pela disponibilidade de alimento).

 

O efeito bumerangue é um fenômeno biológico bem mais frequente e comum do que se imagina e seus fundamentos devem ser evitados a todo custo. Em outras palavras, a intervenção humana em áreas infestadas por roedores tem,necessariamente, que ser decisiva, completa, abrangente e continuada. Uma intervenção errônea pode causar efeitos desastrosos e somente conduzirão a situações futuras de difícil e onerosa solução.

 

Referências:Brasil. Fundação Nacional de Saúde. Manual de controle de roedores. -Brasília:Ministério da Saúde, Fundação Nacional de Saúde, 2002.132p.Brasil. Fundação Nacional de Saúde. Manual de saneamento. 3. ed. rev. -Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2006. 408 p.